AgriTech IoT Revolution – Douro

No dia 16 de julho de 2026, realizou-se o workshop “AgriTech IoT Revolution – Douro”, integrado no projeto AgroNet Forward: Digitalizar o Agroalimentar do Douro Tâmega, nas instalações da Casa Agrícola Águia Moura, em Martim – Candedo, Murça.

A iniciativa, promovida pela ADCEIDT, em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), constituiu um momento de partilha e demonstração sobre o potencial da agricultura de precisão, da deteção remota e das tecnologias digitais para apoiar uma gestão agrícola mais informada, eficiente e sustentável.

O workshop teve como objetivo demonstrar aplicações práticas destas tecnologias e aproximar o conhecimento científico das necessidades concretas das explorações agrícolas, promovendo a adoção de ferramentas capazes de responder aos desafios atuais do setor.

Da realidade produtiva à inovação tecnológica

A sessão teve início com uma visita técnica às instalações da Casa Agrícola Águia Moura, permitindo aos participantes conhecer de perto diferentes áreas da atividade da empresa, desde a produção ao armazenamento e envelhecimento.

Este primeiro momento possibilitou um contacto direto com a realidade produtiva da empresa e criou uma ligação entre a sua atividade vitivinícola e os temas posteriormente explorados durante a componente técnica do workshop.

Seguiu-se a abertura institucional, com as boas-vindas da Dr.ª Maria José Cerqueira, em representação da ADCEIDT, que realizou o enquadramento do projeto AgroNet Forward e destacou a importância da transformação digital para reforçar a competitividade e a sustentabilidade do setor agroalimentar.

Agricultura de precisão e deteção remota

A componente técnica foi dinamizada pela Doutora Nathalie dos Santos Guimarães, da UTAD/CITAB, com uma sessão dedicada à agricultura de precisão e à deteção remota aplicada à monitorização de culturas.

Ao longo da intervenção foram apresentadas diferentes tecnologias e abordagens capazes de apoiar a recolha e análise de informação sobre as explorações agrícolas, permitindo acompanhar a evolução das culturas e sustentar decisões com base em dados.

Entre as soluções abordadas estiveram a utilização de satélites e drones, sensores IoT para recolha contínua de dados e plataformas digitais de apoio à gestão agrícola.

A sessão explorou ainda os índices de vegetação, nomeadamente o NDVI, utilizados para avaliar o estado e desenvolvimento da vegetação através de dados obtidos por deteção remota. Foram também analisadas as diferenças e complementaridades entre a monitorização por satélite e por drone, evidenciando as possibilidades de cada tecnologia em função das necessidades e características das explorações.

Dados para uma agricultura mais eficiente e resiliente

Um dos pontos centrais do workshop foi a importância da monitorização digital enquanto ferramenta de apoio à tomada de decisão. A recolha contínua de dados permite acompanhar as condições das culturas, apoiar a gestão da rega, identificar precocemente potenciais problemas e contribuir para uma utilização mais eficiente dos recursos.

A sessão abordou igualmente o impacto das alterações climáticas na agricultura e a crescente necessidade de recorrer a dados e tecnologias digitais para aumentar a capacidade de adaptação das explorações agrícolas.

Neste contexto, foi reforçada a ideia de que satélites, drones e sensores IoT não devem ser encarados como soluções isoladas, mas como tecnologias complementares que, quando articuladas, permitem obter uma visão mais completa da realidade no terreno.

Entre as principais mensagens partilhadas, destacou-se o papel da agricultura de precisão na promoção de decisões mais informadas e o contributo da monitorização contínua para melhorar a gestão das explorações. A digitalização assume-se, assim, como um fator relevante para aumentar a eficiência, a competitividade e a sustentabilidade do setor agroalimentar.

O workshop “AgriTech IoT Revolution – Douro” permitiu aproximar conhecimento científico, tecnologia e realidade empresarial, demonstrando de forma prática como as ferramentas digitais podem apoiar os produtores perante os desafios atuais e futuros da agricultura.

Cofinanciado pelo COMPETE 2030, Portugal 2030 e pela União Europeia, o projeto AgroNet Forward: Digitalizar o Agroalimentar do Douro Tâmega, n.º 25447, tem como objetivo acelerar a transformação digital das PME do setor agroalimentar* nas regiões do Douro, Alto Tâmega e Barroso e Tâmega e Sousa.

*São excluídos do âmbito de aplicação do “Sistema de Apoio a Ações Coletivas” os incentivos concedidos aos setores da aquicultura e da transformação e comercialização de produtos da pesca e da aquicultura.

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